"Devia ser proibido. Que chegasse, me baixasse a guarda e depois saísse, como quem me fere com luvas de pelica. Como encarar a rua assim, sem nada para me proteger?"
Esse foi o meu primeiro pensamento do dia. Sétimo dia. Terceira carteira de cigarro, chegando no fim. Sétimo dia que tento viver depois que me deixou. Se é que se pode chamar isso de vida. Eu chamo de piloto automático. Uma amiga disse que é melhor eu "viver" no piloto automático do que desistir. Ela provavelmente está certa. No final das contas, no final de mais um dia, não sei o que é pior: encarar as pessoas e fingir felicidade na rua, ou chegar em casa. Explico: a figura do outro está em todos os lugares. Outra coisa que deveria ser proibida, então. Que uma pessoa se entranhe assim na sua vida, até na sua própria casa, e sem sinais, como quem pisca ou respira, abre a porta, e sai. E o que fazer com todos os cômodos ocupados anteriormente? Com tudo que passou por ali? Até ir na cozinha fazer o almoço ou ver um seriado tornou-se ato deliciosamente doloroso. Existe coisa mais real que um fantasma?
Talvez as pessoas, as pessoas que me cobram sorrisos e comportamentos naturais. Ok, então, gente feliz e bonita e sorridente, então, me dêem um motivo pra sair da cama todos os dias. E não me venham falar em trabalho, ler jornais todos os dias pela manhã não é trabalho, é passatempo, faço isso em casa. Alguém? Não? Ok, então, parem de me perturbar com suas cobranças por sorrisos e felicidades e belezas, quero sair de casa com a porra do pijama e um cigarro. Ou nem quero sair, depende da maré. Como é que se atravessa uma maré dessa sem o melhor amigo do lado? É isso, acho que vou ligar pra ele, ele me dá colo, me leva pra tomar um sorvete, e me faz rir. OH, WAIT!
É, preciso de mais uma carteira de cigarro.
Talvez as pessoas, as pessoas que me cobram sorrisos e comportamentos naturais. Ok, então, gente feliz e bonita e sorridente, então, me dêem um motivo pra sair da cama todos os dias. E não me venham falar em trabalho, ler jornais todos os dias pela manhã não é trabalho, é passatempo, faço isso em casa. Alguém? Não? Ok, então, parem de me perturbar com suas cobranças por sorrisos e felicidades e belezas, quero sair de casa com a porra do pijama e um cigarro. Ou nem quero sair, depende da maré. Como é que se atravessa uma maré dessa sem o melhor amigo do lado? É isso, acho que vou ligar pra ele, ele me dá colo, me leva pra tomar um sorvete, e me faz rir. OH, WAIT!
É, preciso de mais uma carteira de cigarro.
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