domingo, 1 de agosto de 2010
O Nada
Em meio a cigarros e duas garrafas de coca-cola, Laís me dizia que o que existia era nada, na verdade. Estava certa. Como então, pedir algo ao nada? Sendo assim, só o que eu o pedia era um pouco de respeito. Um copo pelo menos. Mas o disco parecia arranhado, o menino ouvindo a voz na vitrola repetindo sempre a mesma frase, enquanto ele ria e vivia sem se importar. E íamos caminhando assim, aos tropeços. Mas, importante lembrar: Esperança cansa. No escuro do quarto, minha cabeça explodia. Princípio de gripe e uma boa dose de efeito colateral das frases que ele me jogava como quem nada quer, para depois dizer que eram só frases, eram só músicas, eram só. No loop do computador, Tiê cantava insistentemente Assinado eu, seguida de perto por Chankas, que ao terminar de Olha(r) o Sol, era novamente seguido pela menina passarinho. Tudo vindo dele, jogado aos meus pés uma bomba travestida com papel presente. Amor cavalo de tróia. A garganta inflamada reclamava pelos cigarros fumados à tarde, o corpo cansado pedia trégua. A alma cansada pedia paz. O coração cansado já desistira de pedir qualquer coisa que fosse. Não seria atendido. Fechei os olhos e esperei que o sono viesse. Dormir adiava os pensamentos para o outro dia, quando eu voltaria então ao caos calmo. Quem sabe então, pode ser que ele entendesse, pode ser que ele viesse, pode ser que ele ouvisse. Pode ser que. Podia ser tudo, ao marcar um x abriria-se um leque de opções na nossa frente. O lápis estava na minha mão, só faltava o dono pegá-lo.
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contos e cafés.,
menina moça.
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2 palavras no chão de giz.:
e aquela vontade de sumir progressivamente...
escreve mais.
te amo.
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