Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Nuvem de coração.


Hoje fiz uma coisa que há tempos não fazia. Fugi com alguns amigos. Compramos algumas cervejas,uma garrafa de coca e fomos para a praia. Por algumas horas me esqueci que era segunda-feira, que eu estava com dor de cabeça, que tinha dívidas e coisas a resolver. Só quis sentir a areia e olhar o céu. Enquanto Caio me falava coisas da vida eu a vi. Era uma nuvem de coração. Quis de repente ser a nuvem. Emanar amor, sentir amor. De vez em quando olho ao redor e me parece tão fácil fazer isso. Mas quando faço, geralmente é incompreendido. As pessoas tendem a estranhar quando eu sou amável, alguns tendem a interpretar de forma errada. Virei uma aposta. Será que demonstrei meu amor errado? Virei um prisma. Será que os homens são sempre assim, infantis? Virei só mais uma,ou um alvo de obsessão. Será que ele é louco, ou é apenas mais um filho da puta? Virei a menina que encontrou o cara que tem tudo o que ela sempre quis, mas ela não quer ele. Será que eu só sei amar as promoções, os caras que não valem nem um ponto de bomclube?
Porque o ser humano complica tanto o amor? Tão mais fácil ser como a nuvem...assumir de uma vez o formato de coração e sair vagando pelo mundo, espalhando amores e sorrisos por aí...

Domingo, 28 de Junho de 2009

Panelada de Jornalismo



Aos que tem se perguntado (e até me perguntado) sobre a ausência de textos que tratam da decisão extremamente errônea do STF de derrubar a exigência do diploma de jornalismo, esse texto serve para esclarecer algumas de minhas idéias, e também para abrir um debate, se assim os interessar.

Pra quem lê o blog e não sabe, sou estudante de Jornalismo do terceiro período da Unicap, em Recife. Estou infinitamente feliz com meu curso, e só me vejo fazendo outra coisa se fosse cinema, mas no momento a minha vontade é conciliar as duas carreiras, afinal de contas, jornalistas e cineastas geralmente gastam mais dinheiro do que ganham, hehe.

Quanto à decisão do excelentíssimo Gilmar Mendes, também conhecido como o amiguinho de Daniel Dantas, obviamente que discordo. Lógico que essa não foi uma decisão somente dele, é preciso lembrar que foram 8 votos contra 1, mas Gilmar, como presidente do Supremo, acaba sendo o mais visado. Além disso, foi este senhor quem deu a declaração belíssima que compara jornalistas a chefes de cozinha e costureiros (ou até mesmo estilistas, como o inteligentíssimo Gilmar só falou em corte e costura, ficou meio difícil entender o que ele realmente quis dizer).

Sim, meus caros, jornalismo é uma arte inexata. E por ser arte inexata, e ainda por cima se tratar da arte de escrever - coisa tão banalizada hoje em dia, principalmente graças a internet - é extremamente desvalorizada, até mesmo por aqueles que a exercem. Nessa última sexta-feira, houve uma passeata em Recife que reuniu jornalistas, estudantes de jornalismo, políticos, presidente da OAB-PE, enfim, cidadãos conscientes. Fiquei meio espantada por notar a falta de alunos da UFPE, mas depois ouvi algumas coisas que me fizeram entender (mas não concordar) a ausência deles. O caso é que muitos estudantes de jornalismo parecem concordar com a decisão do STF, o que me parece bastante contraditório. Corrijam-me se eu estiver errada, mas se uma pessoa acha que não é necessário um diploma para ser jornalista, o que ela está fazendo no curso de jornalismo? Quer especializar-se? Ok, existem livros e alguns cursos para isso, não perca seu tempo (e, em alguns casos, seu dinheiro) numa sala de aula! Vá fazer outro curso! Isso pode até complementar a sua carreira jornalística, além de que, você dá chance e espaço para outras pessoas mais interessadas!

Um dos argumentos (não sei ao certo de quem) foi de que a exigência do diploma é uma herança da ditadura. Ok, vamos acabar com tudo que veio da ditadura! Divórcio nunca mais! Sinto muito, mas como tudo nesse mundo, a ditadura também trouxe alguns benefícios para o país. Outro, se não me engano ainda seguindo a esteira da ditadura, é o de que a comunicação se tornaria mais democrática. Mais democrática pra que? Pra mais lixo jornalístico? Se o jornalismo brasileiro já é esse caos todo, tenho muito medo de onde vamos parar. E não me venha com papinho de abertura de mercado. O mercado já é aberto, sempre foi, sempre será. Porém, se começarem a surgir mais e mais jornalistas desqualificados ( o que já ocorre ), a vaca realmente vai pro brejo. Seria interessantíssimo assistir Ana Maria Braga ou João Kleber apresentando o Jornal Nacional. E sim, é pra dar exemplos radicais mesmo, porque muita gente ainda não se deu conta da gravidade da situação. Informação não é brincadeira. Escrever não é uma festa. Como já diria Ricardo Noblat, jornalista e professor de jornalismo: "Paris pode ser uma festa. Escrever não". Se a manipulação já ocorre atualmente, imagine então ser manipulado por pessoas que não têm a menor noção de ética jornalística, não saber se uma notícia é falsa, enfim, vai ser um deus nos acuda.

Outra coisa que eu queria esclarecer, não estamos tripudiando nenhuma profissão. O problema é que a maioria das pessoas tendem a rebaixar profissões que são tidas até hoje como banais. Como é que alguém consegue comparar culinária com jornalismo? Coisas completamente diferentes, acho que nem precisava dizer isso. Um chefe de cozinha precisa sim, estudar muito. Mesmo que ele não faça um curso superior de culinária, quantas receitas ele estudou, experimentou, inventou? Estudar não é só fazer cálculos, vamos por favor deixar esse pensamento ultrapassado para trás? Se cozinhar fosse fácil, eu já seria uma mestre cuca, e não uma criatura que demorou dias para saber fazer um frango gostoso. Escrever não é fácil. Plagiar pode ser, ler um autor, imitar seu estilo, trocar algumas palavras, isso é muito simples. Mas escrever é doar um pouco de si a cada linha, a cada palavra. Mesmo quando o texto é impessoal (ou ao menos deveria ser) como numa matéria, escrever é duro, é preciso cuidado, carinho, paixão, se não há amor pela coisa, logo há desistência. E eu adoraria, pelo amor que vocês têm a esse mundinho, que vocês criassem um pouquinho de consciência e parassem de pensar que jornalismo é fácil e qualquer um pode fazer. Não é. O poder de um jornalista é imenso, e me parece que vocês não tem noção disso. Ou se tem, estão esquecendo.
Foto: Panelada de Jornalismo, 26.06.09, Recife-PE
Sim, sou eu com essa cara de seiláoquê

Sábado, 20 de Junho de 2009

Yeap, that's for you, my sweet dear






se ao menos não fosse tão longe....

Domingo, 14 de Junho de 2009

Reflections of a skyline

http://www.youtube.com/watch?v=NV-zzojbtfA

Viciei completamente nesse vídeo. É o trecho de uma peça chamada Crave. Líndissimo

Sábado, 13 de Junho de 2009

Healed



Estranhíssima a sensação de liberdade. Até porque, teoricamente se trata de uma liberdade que eu não desejava. Ao menos não verdadeiramente. Vê-lo ali, vê-lo me dando valor, me deu uma alegria imensa, tanto que passei a noite inteira rindo. E então, a tempestade. Vê-lo com outra, minha amiga, por sinal. Olhar para ele e ver que seu rosto agora não mais sorria pra mim, que ele olhava pro lado, fugia de mim. E no rosto, uma expressão que eu não conhecia. E eu que pensara que conhecia todas as suas expressões. Mas não aquela, aquele misto de raiva, vergonha, repulsa, e sabe deus mais o que. Tive medo. Não queria saber se ele sentia tudo aquilo por mim, ou por ele. Queria fugir. Entrei no carro o mais rápido que pude, apertei a mão de Beto e fechei os olhos. Era tudo um sonho, era tudo um sonho, era tudo um sonho.

Não era

Mas hoje, ao acordar, senti-me curada. De que adianta me preocupar, se ele nunca se preocupa. Algum dia já se preocupou verdadeiramente? Nunca saberei dizer. A hora agora é de libertar-se de vez. Levantar o rosto e encarar a chuva, deixar-se lavar com ela. Deixar-me ir com ela.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Num turbilhão de cores.


O estado de inércia se fora. Em seu lugar, havia agora um "guarda-sombrinha" colorido, tipo arco-íris ou bandeira do orgulho gay. Não era só uma sombrinha, era o estado de sua alma. Colorida, vibrante, protetora. Ao girar o caleidoscópio de cores, percebeu que sua alma também girava, ininterruptamente, mil cores se misturando, vibrando, ecoando energia, luz. Alquimia pura. O negócio é viver, o importante é amarrrr. Levantou o rosto para a chuva, largou um pouco a proteção colorida, e sentiu o vento bater em cheio no seu rosto, trazendo a chuva que de tão forte, chegava a ferir. A cidade estava inundada, as pessoas pareciam cabisbaixas e preguiçosas, como é comum a esses dias de chuva. Ela não. Sentia-se viva como nunca. Queria dançar, pintar, amar, musicar, escrever. Queria a vida! Ah, quão tola fora! Mas agora era toda cor, toda luz. Felicidade pura e simples, pela consciência de que é melhor passar por essa vida aprendendo, levantando e sorrindo, do que lamentando-se pelos cantos.

''E você, tá refletindo sua luz aonde?"

Dedicado ao SantaChuva Futebol Clube.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Duelo de consciências.


Acordei. Incrível não o ato de acordar, mas que eu tenha conseguido dormir. A noite foi passada em claro, e depois de chorar - possivelmente acabei com o estoque anual de lágrimas - encontrei-me num estado quase catatônico. Só sabia olhar para o nada, não pensar em nada, não sentir nada além daquela sensação de inutilidade. Em meio a essa loucura toda - atualmente constante em minhas madrugadas - acabei por adormecer. Bom, já que acordei, melhor me levantar. Começar um dia novo, certo? Certo. Certo até vê-lo. Até perceber que, mais uma vez, eu não era importante. O amor é mesmo desumano. Segurei a máscara o quanto pude e agora, desabo. Se bem que, nem desabar consigo mais. Como já disse, acabei o estoque anual de lágrimas. Agora só me resta esse sentimento meio doido, um vazio que me toma por inteiro. Sinto que estou me consumindo aos poucos, assim como consumo um cigarro. E nem o cigarro me acalma mais. É preciso ficar só, não ter nada que me afete por perto. Ainda assim, é preciso estar acompanhada. É preciso que eu me sinta novamente importante para alguém. Preciso que alguém me ofereça um ombro quando eu estiver com sono, e que me faça cafunés, apesar do meu protesto constante de que isso bagunçará meus cabelos já revoltosos. Deve haver uma espécie de sentido nesse meu azar, não é possível que ele ande comigo por nada. Mas, como já diria Lula Queiroga, guru para estes momentos: todo grande amor vem de um coração burro.